Os Pais Pré-Niceianos e a Trindade

26 09 2011

João Flávio Martinez

O que diziam os Pais Pré-Niceianos sobre a Trindade?

As Testemunhas de Jeová, a fim de dizerem que a crença na Trindade foi um desviu doutrinário do terceiro século, dizem que os primeiros cristãos não a ensinavam. Mas neste documento, nós veremos as opiniões de alguns pais da igreja sobre este assunto, e verificaremos a falta de embasamento na verdade da parte daquela que se diz “organização de Deus”.

Justino Martir (100-165 aD): Justino afirmava que muitas vezes se referiam a Jesus como um anjo, mas isto se devia ao fato de de Cristo ser Deus, e muitas vezes assumir a aparência de um anjo. Justino também afirmava que “o Pai tem um Filho, e Ele, sendo o primogênito Verbo de Deus, é o próprio Deus. Nos tempos antigos, Ele apareceu na forma de fogo e na semelhança de um anjo a Moisés e aos demais profetas.”(1) Em outro trecho, Justino afirma que Jesus é “tanto Deus como o Senhor dos Exércitos”(2). Justino acreditava também em uma forma rudimentar na “trindade”. Declarou que os cristãos adoravam ao Pai, “ao Filho (que veio da parte dEle…) e ao Espírito profético” (3). Que o Filho e o Espirito são Deus, fica subentendido, pois “somente a Deus se deve adorar e prestar culto”(4).

Irineu (125-202aD): Irineu defendia um conceito do Pai, do Filho e do Espírito Santo que era implicitamente trinitariano. Desta maneira, declara que a Igreja tem sua fé “em um só Deus, o Pai Onipotente, Criador do Céu e da Terra, do mar e de tudo o que neles há; e em um só Cristo Jesus, o Filho de Deus que se encarnou para a nossa salvação; e no Espírito Santo, que proclamou mediante os profetas as dispensações de Deus”, e no mesmo contexto, fala de “Cristo Jesus, nosso Senhor, e Deus, e Salvador, e Rei”(5). Irineu escreve a respeito de “Cristo Jesus, o Filho de Deus: que por causa do Seu amor incomparável a Sua criação, condescendeu em ser nascido da virgem, sendo que Ele mesmo uniu em Si a humanidade com Deus…”(6). Desta forma, Irineu defendia a “trindade na unidade”, e também defendia que Jesus é tanto Deus como homem.

Clemene de Alexandria (150-215 aD): Clemente sustentava que Cristo é “realmente a Deidade plenamente manifesta, sendo Ele feito igual ao Senhor do universo; porque Ele era o Seu Filho,”(7). e o mesmíssimo Deus que o Pai (8). Clemente chamou Cristo explicitamente de “o Filho eterno”(9) e negou que o Pai tenha existido nalgum tempo sem o Filho (10)

Notas:

1. Justino, o Mártir: Primeira Apologia 63, em The Ante-Nicene Fathers: Translation of the Fathers down to A.D. 325, ed. Alexander Roberts e James Donladson, edição revisada A. Clevland Coxe (Grand Rapids: Wiliams B. Eerdmans Publishing Co., 1969 reimpressão [orig. 1885], 1:184; doravante citado como ANF. 2. Justino o Mártir: Diálogo com Trifao 36 em ANF, 1.212.

3. Justino o Mártir, Primeira Apologia 6, em ANF 1:164.
4. Ibd., 16,17 em ANF, 1:168.
5. Irineu, Contra Heresias 1.10.1 em ANF, 1:330.
6. Ibd., em ANF, 1:417
7. Clemente de Alexandria: Exortação aos Pagãos, 10, em ANF, 2:202.
8. Clemente: O Instrutor 1.8, 1.11 em ANF, 2:206.
9. Clemente: Exortação aos Pagãos 12, em ANF, 2:206.
11. Clemente : Miscelaneas (Stromata), 5.1, em ANF 2.444.

Fonte:http://www.cacp.org.br/jeovismo/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=237&menu=3&submenu=2


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One response

26 09 2011
Regis

O documento demonstra a crença na tríplice manifestação de Deus. Ou seja, mais para triunidade(um em tres) do que a trindade(tres em um). E derruba a tese do TJ que alega não ser Jesus, Deus completamente.

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